O Fator BMC/G

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O Fator BMC/G

Após a primeira semana que fiz um texto generalista e tratando-se de um blogue que pretende apontar um caminho á nossa sustentabilidade e crescimento até ao ano de 2019, devo começar pelo passado – ninguém consegue transmitir uma ideia –  não  escrevendo a história de inicio.

Como disse no meu anterior artigo, começaria numa primeira instância, por identificar a razão do nosso atual estado.

Nascimento

A nossa matriz e o crescimento inicial nasceu de gente humilde, ambiciosa e aventureira, que acreditava plenamente, que saindo de outro Clube, poderiam criar um clube com uma dimensão superior e com outra projeção. Na realidade isso foi conseguido nos primeiros Anos com um suporte muito grande em resultados desportivos- guindou-nos aos áureos anos 30, em que vários relatos à época, confirmam que seriamos o maior clube Nacional, secundado inicialmente pelo Benfica e Porto.  Então por que motivo não conseguimos manter-nos no topo? –   Uma boa questão… como acredito que para tudo existe uma explicação, penso que umas vezes por situações de conjuntura, outras pela nossa incapacidade e principalmente por um fator que vou decifrar mais à frente que nos veio trazer a este “trilho” onde parece que cada vez que damos um passo, mais perto estamos do abismo.

O nosso estatuto de grande clube  (alguém disse: ”… agora somos um clube grande…” o que é um pouco diferente) manteve-se até finais  dos anos 50 e meados dos anos 60 –  infelizmente não conseguimos materializar em títulos, o elevado desempenho que tivemos durante essas décadas. É obvio que esta analise que vou fazer se refere ao futebol que em meu entender tem que ser a mola impulsionadora do clube porque face ao nosso ecletismo, como clube, continuamos a ser um dos 4 grandes.

Onde encontro a primeira grande clivagem e fraturante sobre a nossa incapacidade de seguir o Porto, Benfica e Sporting, é no final dos anos 70 e princípios dos anos 80. O País mudou, o futebol paixão começa a ser substituído por uma logica economicista  e para isso era necessário ter Capital financeiro.

Nessa época eramos claramente o 4º grande clube do futebol Português onde o respeito pelo Belenenses só era comparado aos 3 clubes mencionados. Depois de pesquisar sobre resultados, dimensão e estatuto, detetei e é fatual, inclusive para quem acompanhou à época, que os nosso rivais para o terceiro, quatro e quinto lugares, eram sistematicamente, Guimarães, Setúbal, Boavista.

No inicio dos anos 80 (temos a 1ª descida de divisão), e acontece esta nova realidade – Fator BMC/G que vai ser determinante para a história do futebol Português até hoje, que faz crescer o Benfica, Sporting e Porto e, com o qual, aparecem novos protagonistas no futebol português. Perdemos esse estatuto de lutar pelos lugares Europeus, tal como o Guimaraes, Boavista e Setubal. Excluindo o Guimaraes ( que tem uma cidade a apoiar) também estes, tal como nós, ficamos fora do fator BMC/G.

 

Novos protagonistas

Descodificando as siglas (B) de Banca que apoia os 3 grandes, sendo a própria Banca hoje em dia reféns dos mesmos, face aos elevados passivos, (M) de mecenas, aparecendo clubes que até ai praticamente não existiam no panorama Nacional como Gil Vicente, Arouca, Pacos Ferreira, Rio Ave etc… suportados em carolice de Empresários e (C/G) de Cidades e Governos Regionais, clubes suportados em apoio camarários,  ou de governos regionais – como o Braga pela CM Braga e o Marítimo e Nacional, pelos Governos regionais.

A partir dos finais dos anos 80 e década de 90, começa a ser desenhado o novo mapa do futebol Nacional e a verdade é que não conseguimos nos enquadrar em nenhum de 3 fatores que nos levasse para o topo do futebol Português.

Até poderíamos ter no tecido associativo, massa critica, pessoas com capacidade Empresarial que nos pudessem ter dado o “empurrão”, mas a verdade é que nos últimos 35 Anos, não apareceu ninguém com esse perfil (os últimos que me lembro foram Mário Rosa Freire, Agostinho Carolas ou Acácio Rosa), como também não tivemos  capacidade para negociar na Banca financiamentos que servissem para restruturar o clube e alavancar a nossa atividade desportiva (único Empréstimo 5.000 K foi para financiar o futebol),  num péssimo ato de gestão. Como não somos apoiados por uma cidade ou um Governo Regional, aqui chegados facilmente se conclui, que  estivemos sempre fora do espectro do muito importante Fator BMC/G.

Relacionamento Interpessoal 

Mas infelizmente este “fator” não foi e não é o único problema. Temos um grave problema de convivência e relacionamento interpessoal entre os sócios. No Belenenses as pessoas “tratam-se” por fações: apoiaste aquele, as tuas ideias não servem, estiveste naquela Direção, não serves para o Clube etc…

Infelizmente isto é diário e estamos constantemente num ajuste de contas verbal. Sinto-me completamente à vontade para falar sobre este tema pois não fiz parte de nenhuma Direção e não me revejo nesta forma de pensar. Vejo pessoas com qualidade na atual Direção, assim com existiam pessoas que, pela sua competência e trabalho realizado  na anterior Direção, tiveram muito mérito. Mas esta forma de confronto de ver outros está instituída e  tenho muita pena que assim seja porque por cada um de nós que age dessa forma, mais um passo se está a dar no caminho do abismo.

Como sou crente, ainda acredito que um dia as pessoas de bem se vão entender em prol do clube – É muito importante que aqueles que conseguem pensar o clube, SE ENTENDAM.

Após este texto tracei o caminho seguinte – gestão. Assim, espero dentro de 3 semanas vir aqui escrever sobre os critérios e pensamentos dos atos eleitorais (organização de listas) e a gestão enquanto ato de dirigir ou fazer?! É esse o meu compromisso para o próximo texto.

Não sei se deveremos refundar o clube, mas devemos claramente refundar pensamentos e formas de estar. É essencial consensos no dia a dia de um Clube que se pretende forte e pujante.

Carlos Canhoto Fernandes

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