A RECOMPRA

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A RECOMPRA

 

Recordo-me, aquando do processo negocial da venda das acções da SAD Belenenses, que uma das condições essenciais para a transmissão de propriedade, isto é, da venda de uma forma maioritária do futebol do Belenenses a “investidores” externos, passaria sempre por existir uma opção de recompra das referidas acções. O Clube de Futebol os Belenenses teria sempre a possibilidade de retomar o seu futebol.

Assim, e em comunicado datado de 3 de Novembro de 2012, foi nos transmitido o seguinte:

“… – O CFB terá a possibilidade de voltar a ser accionista maioritário da SAD exercendo um direito de recompra desde já contemplado

– Numa hipotética venda da participação da CPI na SAD a terceiros, o CFB terá direito de preferência…”

Isto mesmo nos foi transmitido na celebre AG de 4 de Novembro de 2012, em que taxativamente nos garantiram janelas de oportunidade para recuperar o que era nosso.

E é de tal maneira verdade que o mesmo foi transposto para um acordo Parassocial, datado de 12 de Dezembro de 2012, assinado entre o Clube de Futebol os Belenenses (CFB) e a Codecity Sports Management, Lda. (CSM), documento juridicamente vinculativo, e em que nos seus pontos TRANSMISSÃO DE ACÇÕES, e OPÇÃO DE COMPRA, estão claramente referidos os direitos do Clube de Futebol os Belenenses.

Estou certo, que sem essas hipóteses concretas, a aprovação da negociação da venda não teria sido aceite pelos sócios do CFB.

Espantosamente, sem motivo ou causa aparente, em Março de 2014, a CSM, detida maioritariamente pelo Sr. Rui Pedro Soares, resolve unilateralmente o referido acordo Parassocial, negando direitos aos sócios do Clube de Futebol os Belenenses, direitos esses que tinha assumido contratualmente. E tudo isto sem uma única justificação.

Será que o objectivo é o de não permitir a recompra das acções e, como consequência, o de não permitir ao Clube de Futebol os Belenenses voltar a deter a sua SAD e o seu futebol profissional?

Pode o CFB voltar a ser maioritário na Belenenses SAD? Com o panorama actual a resposta é simples – Não, porque não nos deixam…

Como resposta e em declarações à Lusa, o Eng. António Soares referiu: “Só eles poderão dizer quais os objetivos que levaram a Codecity a denunciar o acordo parassocial. Eu tenho a minha opinião, tenho uma ideia, mas não a poderei dizer. No entendimento deles, há algumas situações que o clube incumpriu, mas isso não é verdade. Não há fundamento para a denúncia do [acordo] parassocial”,

Falou-se então, que iria ser pedida a constituição de um tribunal arbitral para dirimir a questão, e repor os poucos direitos que os sócios Belenenses tinham.

Entretanto, realizaram-se eleições no clube e uma nova Direcção foi eleita, liderada pelo Dr. Patrick Morais de Carvalho. Rapidamente percebeu as “dificuldades” que são criadas por parte da SAD Belenenses, e que “o clima de guerrilha institucional permanente” tem, normalmente, a mesma origem.

E o que fazem (fizeram) as Direcções sobre este assunto? Não é obrigatório repor a legalidade? Não se trabalha para recuperar o futebol? 18 meses depois da denuncia do parassocial, e com duas direcções distintas, nada se contesta? Não devemos recomprar o que custou muito a perder? Quem defende o colectivo? Quem defende o Belenenses?

Sou dos que acredita que o Belenenses só existirá, com a dimensão para que foi criado, se detiver, maioritariamente, a posse das acções da Belenenses SAD. Está no seu ADN, no seu sangue. Somos todos parte de uma grande família, com divergências é certo e normal, mas colectivamente somos uma família, respeitosa, humilde, sincera, única…..e uma família não se compra……nem se vende……

É imperativo que sejam repostas as verdades, que não boicotem direitos.

O Belenenses tem a obrigação de retomar a seu futebol, sendo certo que sem a possibilidade não existirá a realização.

António Polena

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