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Clube – O presente… e que futuro!

 

Escrevi um artigo no dia de 1 Dezembro de 2015 sobre a SAD, no entanto penso que este é o momento de todos nós fazermos uma avaliação ao clube- sem críticas fáceis, com dados e tentando ajudar a criar alternativas sobre os temas, que penso poderem ter outro caminho.

Vou abordar temas como: Gestão, Património, Formação, Sócios, Modalidades e Estatutos.

Vou dividir por Capítulos, no entanto entendo que muitos deles possam estar interligados e cabe a cada um de nós fazer essa ligação e respetiva analise.

No âmbito do nosso blogue, discutimos se deveríamos enviar como um único artigo ou em dois artigos, face á densidade do mesmo optou-se por dividir em duas partes.  Hoje vou falar Gestão, Património e Formação, deixando para a semana, Sócios, Modalidades e Estatutos.

 

 

GESTÃO

 

Falar da Gestão do clube é falarmos da Direção, que com 2 anos de mandato realizado, dá-nos uma noção do trabalho realizado – quer em relação às promessas eleitorais, quer em relação a outras medidas tomadas.

Sobre as promessas eleitorais, existem duas que pode-se concluir que foram cumpridas – Salésias e o novo cartão de Sócio.

Sobre as Salésias, confesso como já tive oportunidade de dizer – não penso que seja essencial para sobrevivência do clube e entendo como seja o cumprir de uma promessa eleitoral, mas não creio que as Salésias tenham a importância que pretendem dar, numa perspectiva de uma grande obra do clube – mas seria injusto não dar o mérito à Direção, de terem conseguido esta parceria com a Estamo e com CML, ficando o clube com mais um espaço para as nossas atividades Desportivas que é diferente do espaço passar a ser propriedade do Clube, como era desejo de muitos sócios, ao longo dos anos.

 

Sobre o cartão de Sócio, a verdade é que foi cumprido este compromisso eleitoral, com o novo cartão, pagamento através de SDD, o que vinha a ser projetado há muitos anos, mas ninguém tinha efetuado nada sobre o tema – muito bem!

Para além destas promessas cumpridas, fizeram pequenas obras nas Instalações e aproveitamentos de alguns espaços para arrendamento, com acréscimo de receitas, mérito para o VP Telmo Carvalho.

Mas a gestão de um clube da dimensão do C.F.B., não se pode resumir ao cumprir destes pequenos atos, temos que ter a capacidade de ir mais alem e conseguir projetar o clube para o futuro. Vou fundamentar o que em meu entender penso ser essencial para termos um clube viável no futuro.

 

PATRIMÓNIO

 

Sobre o Património começo por dizer que para mim é a “tabua” de salvação do clube e nesse aspeto tenho que dizer – estamos praticamente no final de 2016 e continuamos com os 11 hectares intactos. Se bem me lembro, tinha sido projetado para o verão deste ano, que as “maquinas” iriam arrancar em força…

Bom, comecemos pelo princípio, pela importância de ter sido conseguido o PIP – mérito desta Direção, com avanços e recuos com a CML, mas muito mérito de VP Oscar Rodrigues e do Presidente Patrick M. Carvalho – que para o bem, ou para o mal, a equipa de dirigentes foi escolhida por ele e aqui acertou na “muge”.

Sobre o modelo que foi escolhido (analise das propostas, para decidir qual…), confesso que tenho muitas reservas sobre esse modelo, porque penso mesmo que não é o correto , esta é a minha visão, pelo que passo a explicar .

 

Penso que este tipo de Projeto deve ser entregue a um promotor, até para que seja o mais transparente possível, ninguém no clube dever-se-ia envolver em Negociações, ou decisões sobre as candidaturas. Acredito que a comissão escolhida são pessoas idóneas e sérias e que não existem interesses subjacentes, mas será que terão o conhecimento e Know-how para fazer avaliações de investimentos individuais ou comparativas, sobre qual será a melhor proposta?!

A proposta que existia da  EDGE (Promotor),  a anterior Direção cometeu o “pecado” de tentar ser o mais transparente possível para com os sócios e fez em meu entender uma apresentação precipitada e muito fraca,  eu inclusive insurgi-me nessa apresentação, por pensar ser uma apresentação que não servia os interesses do clube. Na 2ª apresentação que penso ir ao encontro das nossas necessidades já era tarde, já ninguém ouviu, ou deu o real valor do que nos estava a ser proposto …

 

Mas centremos no que existe. É de conhecimento público que um dos potenciais Investidores é o colégio do Parque, sabe-se que pretende efetuar na zona do Restelo um investimento de 7.5 M Euros, penso que será uma das propostas em análise, penso que também, que o clube e bem, pretende como contrapartida a construção de um Pavilhão (que informaram-me pensar ter o custo de 1.5 M), não creio que se faça uma obra dessa envergadura por esse valor – e que o pagariam mensalmente 100 K ao clube, durante 25 anos que poderá ser o período de exploração. Bom há cerca de um mês começei a trabalhar num (Business plan- plano de Investimento) com a projeção destes pressupostos, porque temos que saber se o que estamos a pedir – é pouco, ou é muito?!

Com o levantamento de numero de trabalhadores (pessoal docente e auxiliares – Custos), numero de alunos (vendas) custos (FSE,CMVMC, Enc. Financeiros de Funcionamento, Enc. Financeiros Etc…),  fazendo uma projeção num cenário mais rigoroso –  Investimento do Pavilhão  em 2.5 M,  estaríamos a falar de um investimento inicial para o colégio  de 10 M de Euros (7.5 M para Colégio + 2.5 M Pavilhão), e uma renda mensal 1.2 M anual.  Projetando entrada de Cap. próprios de 2.5 M do colégio e Cap. alheios de 7.5 M (Investidores, ou Banca) em que o WACC (Custo medio ponderado do C.Prop + C.Alheio = 7%), esta operação tem um pay-back (Retorno do investimento) de 7 anos, o que parece-me um excelente Negócio para quem está investir e menos bom para o clube. Com isto quero demonstrar, que não devemos ser nós aferir da qualidade das propostas como promotores, mas sim, efetuar uma análise de quais os nossos interesses financeiros e até onde podemos negociar com o Promotor. O C.F.B. tem na sua Direção uma pessoa com capacidade e competência de aferir de quantos queremos de retorno financeiro, ou investimento pretendemos da área desportiva a construir, trata-se do Dr. Paulo Peteers.

 

 Efetuada essa análise, devemos entregar a proposta ao promotor, informando do real valor financeiro que nos devem entregar mensalmente e da construção desportiva a edificar. Nós devemos concentrar naquilo que sabemos fazer e deixar a promoção Imobiliária, para os promotores. Dar ainda nota, que lamento  depois do PIP aprovado, os sócios ainda nada saber sobre o tema e qual o plano financeiro desta operação, tudo o acima descrito foi baseado em pressupostos de alguma informação, que não deve ser entendida como informação do clube.

 

FORMAÇÃO

 

Há uns tempos, falando com alguém que recentemente fez parte desta Direção, informava-me – o que corre bem no clube, é a formação no futebol e a modalidade do Rugby – como um todo. Não serei tão redutor, no entanto tenho a certeza de algo – não tendo o clube capacidade financeira para competir de igual para igual com o Benfica e Sporting, temos uma vantagem clara, temos o nosso polo desportivo no Centro de Lisboa, o que nas idades mais baixas é claramente uma vantagem. O clube tem neste momento um modelo no Futebol que é um modelo catalisador do que deve ser a nossa dimensão – competitivos a um custo reduzido.

Alguém que percebe do assunto e tem a capacidade de gerar constantemente resultados e mais-valias para o clube. Eu prefiro pagar alguém 1 Mil Euros por mês (não sei qual o valor real pago a quem gere o futebol formação), mas que gere receitas de 30 K ou 40K por época, do que termos responsáveis na formação do Futebol Juvenil que ganhem 300 ou 400 Euros, mas que esse valor só funciona como um custo, não havendo retorno financeiro. Como sócio levei AG um voto de louvor ao Prof. João Raimundo e não o fiz de ânimo leve, porque a projeção do clube e o retorno financeiro que o mesmo proporciona ao clube, merece ser reconhecido por todos nós.

 

Penso mesmo, que na formação nunca tínhamos chegado a este patamar, fomos vices-campões nos anos 80 nos juniores, mas não teve sequencia nos anos seguintes  e sei  do que falo porque vivi também essa década a realidade das camadas jovens do clube.

Mérito para Eng. António Soares, para o Dr. Nuno Costa quem descobriu esta fórmula, “correndo” com o Milan e colocando o Prof. João Raimundo no clube e para o Dr. Patrick Morais de Carvalho, que soube rapidamente qual seria a melhor opção para os escalões de competição da formação, verticalizando toda a estrutura sobre coordenação do Prof Raimundo.

Vou confessar algo que venho pensando algum tempo, o C.F.B. continuando com o Prof João Raimundo, poderá no futuro ter um sucesso semelhante às reconhecidas escolas do Ajax e Auxerre que foram case study (caso de estudo) do futebol de formação a nível Mundial.

Mas esta “receita” não serve para a restante formação das Modalidades, porque a restante formação não gera receitas, o que preconizo neste caso é a capacidade do clube mobilizar os melhores e ser competitivo nos escalões, tendo a capacidade dos melhores subirem aos seniores com uma mescla de experiencia, ter equipas competitivas com baixos custos (sobre este tema dos custos falarei no capitulo – modalidades na próxima semana).

 

NOTAS FINAIS

 

Dar duas nota menos positivas e uma muito positiva.

 

Comecemos pela nota positiva. Esta Direção tem tido o mérito de tratar as suas ex glórias com a dignidade que merecem, até porque foram eles que nos trouxeram êxito e alegrias. O que tem feito para com Vicente Lucas é extraordinário, um acompanhamento e apoio financeiro que deve ser elogiado e o mesmo em relação ao malogrado José António com a deslocação de Dirigentes ao Cemitério para colocação de uma coroa de flores e cumprimentos á família. A mim como sócio é um tema que me toca e que deve ser elogiada esta postura dos Dirigentes do clube.

 

Pela negativa a incapacidade de conseguirem fazer unir a família Belenenses, foi visível no último aniversário do clube, só três pessoas da anterior Direção estiveram presentes e não vi praticamente nenhum sócio que fosse conotado com anterior Direção, alguns tipos de procedimentos levam a este distanciamento dos sócios e ex-dirigentes da vida do clube, mas também reconheço que muitas vezes temos de dar passos, se queremos fazer parte da vida ativa do clube. Tenho é uma certeza –  isto  leva-nos a cada vez sermos menos e mais pequenos.

 

Outra nota menos positiva, nós e bem temos um grau de exigência para com o futebol e a SAD elevado, não nos conformamos com este tipo de gestão autónoma do clube, ou o tratamento que é dado aos sócios, quando na final da taça de honra, os sócios são colocados na Bancada oposta, por exemplo.

Mas será que temos esse grau de exigência para com o clube?! Estamos no dia 26/10 e AG sobre as contas, não foi marcada (grave), aqui ilibo o PMAG, porque se a Direção não tiver as contas fechadas, o mesmo não poderá marcar a AG.

Outro exemplo, até partilhado por um distinto consócio, por que motivo os sócios não tiveram acesso à bancada no dia de jogo da seleção do futebol feminino??

Independente das amizades e simpatias que temos para com as pessoas, devemos ser exigentes para com a SAD e com o Clube, se queremos um clube melhor como um todo!    

 

 

Por fim independentemente da minha forma de ver o clube e o seu atual estado, enquanto sócio, agradeço a todos os atuais dirigentes e anteriores todo o tempo que dedicam ou dedicaram ao clube, em detrimento da sua vida pessoal e familiar.

 

Carlos Canhoto Fernandes

 

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