SAD – De onde vens, para onde vais…

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Espero que esta crónica não sirva de clivagem á massa associativa, mas sim um ponto de partida para se debater um assunto com algum melindre, mas do interesse dos associados.

Desde o primeiro momento, fui contra alineação da maioria do Capital Social da SAD, com o meu voto contra, sensivelmente em Maio 2011, quando a Direção levou AG para solicitar autorização para a remoção de restrições à venda da maioria do capital  a investidores. Ao contrário do que muitos pensam o problema não foi no dia 4/11/2011 e ser este Investidor, o problema foi antes termos permitido abertura da maioria do Capital da Sociedade – num Universo de +/- 3.500 Sócios, como foi possível só 0.002% (1/5 de 1%) sete sócios/sócias tenham votado contra, aqui faço uma menção especial que dos Sete, três foram Senhoras, confirmando a velha regra, que as grandes decisões muitas vezes são melhores ponderadas pelo sexo feminino. Colocada esta nota introdutória, faço desde já uma declaração de intenções sobre o artigo que vou redigir.

 

Porque não á remoção de restrições?

 

Porque claramente sempre pensei que no futuro, seriam mais os prejuízos que os benefícios de uma decisão com estas implicações (alienação da SAD), entendo os motivos de quem no momento assim decidiu, porque o acumular de más gestões desde a sua criação até 2010, levou a uma situação económica e financeira catastrófica, com penhoras diárias e pedidos de insolvência.

Penso, como sempre o disse, devia-se ter metido um PER na SAD (eu inclusive manifestei junto da anterior Direção que devíamos ter avançado com o SIREVE – Sistema recuperação de Empresas por via extra judicial) processo muito semelhante ao PER mas que em caso de insucesso podia-se recorrer ao PER e vice-versa não era possível. Se o PER tem sido efetuado, viabilizava-se a SAD (com a redução de encargos mensais), reduzia-se o passivo, as penhoras e as dividas exigidas de curto prazo como as que existiam (Avaí etc..), deixavam de ser prementes e passariam a estar todos os credores no mesmo patamar (na proporção das dividas que tínhamos para com eles). Financeiramente libertaria receitas mensais até final da época, que eram no momento exigidos diariamente pelos credores, com a ameaça – ou pagam, ou pedimos insolvência.

 

 

Alem desta solução (PER) que a meu ver, foi muito bem implementada no clube pela anterior Direção, ou possivelmente hoje estaríamos insolventes, na SAD a meu ver haveria também outras soluções, como seria a capacidade de conseguir libertar 700.000 Euros através dos ativos (com parcerias) de uma época que liderávamos a II liga e viemos a subir, outra solução muito falada – seria através do maior Empresário Mundial, que não ficaria com maioria do Capital Social (penso que a mesma era real), mas não foi o caminho seguido, portanto, temos que seguir em frente.

Bem sei que algumas pessoas por quem tenho uma enorme consideração e acima de tudo grande Belenenses, são defensores da gestão da SAD estar entregue a gestão alheia, porque quando a gestão foi nossa, foi catastrófica (verdade), mas nem sempre assim foi, passo a explicar:

Infelizmente existiram pouco dirigentes que trataram a SAD como se fosse a sua casa, mas houve dirigentes que o souberam fazer, relembro que tanto o Dr. Ramos Lopes ainda sem SAD, o Dr. João Almeida (9 meses) e depois o Eng. António Soares e a sua Administração, fizeram-no com responsabilidade e isso não existiu durante muitos anos,  em que o lema era – gastar o que havia e não havia e quem viesse atrás que fechasse a porta.

 

Mas numa análise “fria” à realidade das SAD’S, diz-nos que em Portugal não existe nenhuma SAD entregue a Investidores externos que tenha sucesso (nem financeiro, nem desportivo), porque a realidade é que quem investe em Portugal não tem capacidade financeira para que possa ser considerado um Investimento.

Os exemplos são muitos e maus: Beira-Mar (insolvência), Desp Aves (vários problemas, investidor sem capital para entrar) Olhanense (falta de investimento e problemas entre Clube e SAD, sem sucesso), Atlético (Vários problemas, já teve para descer 2 vezes ao CNS, problemas entre clube e SAD), também podemos falar no Estoril (o investidor no inicio do Ano que subiu, estava de partida, no entanto um bom campeonato levou que a Traffic não abandonasse no imediato – no entanto encontra-se num processo de venda neste momento).

 

Que caminho terá a SAD do Belenenses?

 

A SAD do Belenenses tem o seguinte percurso desde que o Investidor tomou posse –

Surgiu numa altura em que estávamos em 1º lugar na segunda liga e que viemos a subir divisão (anterior Administração da SAD é que projetou a subida), no Ano seguinte já com a gestão do Acionista na 1ª liga, num péssimo desempenho, viu-se obrigado alterar a equipa técnica conseguindo a salvação na última jornada. A própria decisão da substituição da equipa técnica teve muitas recusas iniciais (a mais badala, a de Ricardo Chéu, Treinador do Ac. Viseu) em assumir uma situação que era péssima no momento, Lito Vidigal aceitou esse desafio e o resultado viu-se, não descemos e no Ano seguinte conseguimos ir á Europa, com o Prof Jorge Simão a terminar a época, com um plantel muito limitado, mas diga-se que num Campeonato nivelado por baixo.

Em meu entender a SAD do Belenenses atravessa neste momento a realidade do seu valor, com um plantel que até é um pouco melhor que os dos anos anteriores, mas só por obra do acaso conseguirá uma Classificação Europeia. A tendência é a SAD seguir o caminho das que mencionei, quando as receitas não recorrentes que tem surgido, quer através de parcerias, quer a receita da participação na Liga Europa, não entrarem e os custos forem os mesmos, o caminho será só um, a saída do Investidor.

Ninguém investe para não ter retorno, só alguém com um grande amor ao Clube estaria disposto e isso o Investidor deixou bem claro, que não é do Belenenses e que espera um retorno, ninguém tem que levar a mal.

O que mais custa neste processo, é os interesses do clube serem lesados constantemente e que alguns sócios com conhecimento dos desenvolvimentos achem normal, outros há que reconheço, não conhecerem a situação, mas aqueles que a conhecem parece que a dependência do investidor – ter que ser obrigatória, como se não tivéssemos história, identidade e querer.

Confesso que também não entendo, como as Direções ainda não contestaram a denúncia (pelo acionista) do parasocial aos acordos assumidos e que permitiu á Codecity mantenha uma posição privilegiada, sem que seja obrigada a vender a sua posição ao clube – quer em Outubro de 2014, quer em Outubro de 2017, pelos valores contratualmente estipulados.

 

Poderei enumerar aqui varias supostas faltas de respeito e de sã convivência que a SAD tem o para com o clube (de conhecimento publico): 1- Pagamentos dos direitos de formação  2- total desprezo para com os órgãos sociais do clube, quer os atuais, quer os anteriores, 4- falta de respeito para com a Fúria Azul que sempre deu tudo em prol do clube 5 – A SAD como recorrentemente faz questão de vincar, que são “Os Belenenses” SAD e não o clube, como se por obra do acaso tivesse sido criado uma nova “Marca”.

Penso serem demasiados problemas, para o que se pretende numa relação sã, do ativo mais importante para o clube. Estão na nossa casa respeitem o contrato, parasocial e protocolo  que fizeram connosco de livre e espontânea vontade, ou temos que ter uma Direção que faça sentir, se lesam o clube, isso tem implicações jurídicas, basta de passividade!

 

Falar verdade é importante!

 

Desde a primeiro hora não conhecendo ainda quem seria o acionista, estive sempre em desacordo, porque para mim, tanto podia ser o Acionista A ou B, qualquer acionista que viesse assumir sempre previ que chegaríamos a este ponto, a desagregação do clube (divisão total do Sócios) a falta de identidade do mesmo e que dentro de poucos anos vamos estar com uma decisão em mãos, bastante pior que aquela que tivemos decidir em 2011 – O clube vai ter uma herança mais pesada, acrescida dos chamados riscos colaterais que tem acontecido com este processo, sócios que pura e simplesmente abandonam por não se reverem neste clube, que os seus pais e avós ajudaram a criar e que hoje pura e simplesmente não existe, em termos de futebol.

 

A SAD hoje faz questão de marcar a sua independência total em relação ao clube, como se fosse possível esquecer a história e as nossas raízes e que utiliza o nosso Símbolo e a nossa casa (estádio do Restelo), como poderia jogar em qualquer outro estádio do País, onde houvesse possibilidades de ganhar dinheiro.

Mesmo os que veem algo de positivo nesta SAD, reconhecem que o relacionamento da SAD com o clube é péssimo, que não falamos dos mesmos valores e cultura, não foi esta a herança que nos deixaram, todos nos devemos sentir envergonhados daquilo que não estamos a saber cuidar – riqueza moral deve ser algo sagrado.

Porque “FALAR VERDADE É IMPORTANTE” – convém de uma vez por todas clarificar que o acionista nada teve a ver com a nossa subida de divisão (não pode haver duas versões para o mesmo facto), tinha sim alguns jogadores agenciados por ele, que colocou no Clube (Arsénio, Ricardo Alves e André Teixeira etc…), nessa época.

 

Para terminar que o texto vai longo, podem dizer-me – bom mas existe o Manchester City, o Chelsea o United, PSG etc… com sucesso, é verdade, mas quem investe são Investidores com uma capacidade financeira invejável e que o fazem em Países que não são da dimensão do nosso (visto que o pretendido é visibilidade pessoal, dinheiro não é problema), quem Investe em Portugal vem á procura do retorno imediato, sendo quase sempre proporcional ao prejuízo gerado nos clubes.

 

Olhem para a lista dos investidores externos nos clubes Portugueses e o caminho que tiveram… Beira-Mar, Olhanense, Atlético, etc… espero sinceramente não engrossar a lista dos clubes com insucesso!

 

Eu acredito que um dia haja retorno (Sad de volta ao clube), com pessoas responsáveis ao leme e se assim não for, a responsabilidade é dos Sócios que elegem as Direções. Administração da SAD será eleita pela Direção, mas quem elege os órgãos sociais do clube, são os Sócios!

 

“Um homem pode morrer, uma nação se erguer ou cair, mas uma ideia vive sempre.”

John F. Kennedy

Presidente dos E.U.A. (1917-1963)

 

A “IDEIA”  não pode morrer,  não temo olhar para o lado e olharem-me de desdém, não temo ver vedada a minha entrada nas instalações, não temo ficar isolado, temo isso sim – um dia olhar e sentir que tudo não fizemos, por  hoje C.F.” Os Belenenses”  não teres acordado.

 

P.S. Estamos a 3 dias de uma AG, nós temos de fazer parte da mudança, questionar, perguntar, exigir responsabilidades. Em Maio de 2011 ninguém se importou, agora todos “choramos”, Desta vez existe um PER em incumprimento (existe uma linha muito ténue, que separa da Insolvência, ou execução de penhoras) e um parasocial com denúncia, são situações demasiado importantes para não questionarmos e pedirmos explicações, independentemente do nosso sentido de voto eleitoral e amizades pessoais (sempre assim procedi e penso que essa deve ser a nossa matriz), os interesses do clube prevalecem. A Direção agradece a exigência de cada um de nós, só assim a gestão será melhor.

 

 

Carlos Canhoto Fernandes

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geral@belenenses2019.com