Um projeto desportivo

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É muito comum ouvir comentadores, treinadores, presidentes e candidatos a presidentes falarem em projetos desportivos.

Um projeto desportivo não se apresenta e não se tira da cartola como contratar um jogador, um treinador ou um manager. É muito mais que isso.

É a construção de uma aposta desportiva num determinado contexto  para criar ou reforçar uma identidade, com objetivos e com apostas claras e cimentadas ao longo de várias épocas, isto é, no médio/longo prazo.

No Belenenses tive a oportunidade de participar na construção de três projetos desportivos distintos: O Primeiro na SAD, o Segundo no futebol de formação sub-14 e o Terceiro no futebol feminino, todos com objetivos alcançados, com mais ou menos dificuldades e que detalharei aqui em próximas oportunidades.

Nesta altura porém, findada a época desportiva, quero felicitar o Belenenses pelos sucessos do seu futebol infantil – o futebol formação sub-14.

É uma alegria enorme assistir a estes êxitos sem paralelo no Clube que tive a sorte de projetar há quase quatro anos atrás.

Quando em Setembro de 2011 fui convidado para integrar a Direção do CFB com o pelouro dos sub-14 do futebol de formação sabia que tinha uma luta difícil pela frente mas, ao mesmo tempo, a hipótese de construir algo fantástico de raiz: desenvolver um projeto de futebol infantil de topo, desportivamente ao nível da nossa história, economicamente  sustentável, com um novo conceito de escolas futebol e só e apenas Belenenses.  Estávamos no período Milan.

Os oito anos em que estive na Direção da AFL permitiram-me perceber o funcionamento do futebol de formação do Distrito de Lisboa e constatar no terreno o enorme espaço de crescimento que existia para o Belenenses e para um projeto único na cidade.

Tive a sorte de conhecer e conseguir trazer para este projeto o professor João Raimundo que tinha o know-how perfeito, que já conhecia  o Clube, que acreditou como ninguém no seu potencial e que arriscou tudo o que tinha no lançamento desta ideia para garantir algo incontornável para o sucesso: ter mais e melhores infraestruturas de treino e jogo.

É fantástico olhar hoje para o esboço do projeto a 10 anos que desenhámos em conjunto  na Primavera de 2012 – e que guardo religiosamente – e verificar os objetivos já alcançados, alguns previstos até  para uma fase posterior e outros entretanto incrementados:

– Campo Vicente Lucas  – OK!  Mais arrelvamento do Polidesportivo e sintético do campo Major Batista da Silva

– Conseguir parceiro para equipamentos, proporcionando uma imagem forte, uniforme e com qualidade para atletas, técnicos e staff –  OK! Adidas

– Ter 500 miúdos no Restelo ao fim de 5 anos – OK! Alcançado ao fim de 2 anos

– Lutar por títulos com os rivais de Lisboa ao fim de 4/5 anos – OK!  Campeões distritais de Iniciados Sub14 em 13/14, Vice Campeões Distritais de Infantis Sub-13 e Benjamins Sub-10 em 14/15 e de Infantis Sub-13 em 12/13, vencedores de inúmeros torneios nacionais e internacionais com os rivais presentes.

– Ter sustentabilidade económica, permitindo cada vez mais investimento progressivo em várias áreas da formação  – OK! Desde o início.

– Integrar a Secretaria da Escola de Futebol na Loja Azul para aproveitamento do potencial e da dinâmica de pessoas – OK!

– Abrir as Escolas de Futebol uma/duas por ano – OK! Já são nove em 3 anos e outras tantas irão abrir nos próximos tempos

– Colocação de atletas nas seleções de Lisboa para os projetar para as seleções nacionais – OK! Em 13/14 e em 14/15

– Integração vertical com o futebol juvenil  – OK! Esta época

– Desenvolvimento de uma estrutura de técnicos vertical que permita uma progressão de carreira meritocrática – OK! Esta época

Estes são alguns exemplos. Falta atingir outros também traçados, porventura demasiado ambiciosos, mas que com “Força, União e Querer” e se não faltar apoio mais acima, brevemente se poderão alcançar.

Se há coisa que esta Direção fez bem foi aproveitar este tremendo trabalho e promover o Professor João Raimundo a Diretor de todo o futebol de Formação.

Tenho a certeza – e por isso estava previsto – que a verticalização de toda a Estrutura do futebol juvenil é um passo em frente na otimização de recursos e no desenvolvimento dos atletas e dos técnicos e que a direção desta não podia estar melhor entregue.

Mesmo sabendo que nos três escalões superiores da formação as armas não são iguais, que falta capacidade de investimento, que a ligação à SAD é dificílima ao contrário do que alguns pensavam e “pintavam” e que há muitíssimo por fazer em áreas de apoio, estou convicto que a ambição, o profissionalismo e a dedicação ali colocadas permitirão ao Belenenses almejar por mais sucessos desportivos e potenciar mais e melhores ativos já a partir desta época que agora começa.

Projeto desportivo é isto. É esta construção diária, esta melhoria constante, a prossecução e o ajustamento de objetivos pré-definidos. Começar da base para o topo, edificar uma estrutura de técnicos e de staff competentes e comprometidos com o projeto,  identificar oportunidades e aproveitar os pontos fortes que o Clube tem por forma a formar mais e melhor, ganhar muitas vezes, conviver diariamente com a exigência das vitórias e aproveitar os recursos trabalhados.

Ainda assim, falta a Estratégia Global para o Clube que tem que sustentar tudo isto. A tal Estratégia e o tal Compromisso Geral dos Belenenses que eu acho que faz falta ao Clube para construir um novo rumo.

Como já tive oportunidade de referir, potenciar ao máximo a Formação (obviamente com o futebol à cabeça), o Restelo e a SAD é a chave para o futuro.

Sem potenciarmos estes Três Pilares não vejo como possamos ser um Clube distinto, sustentável perante os problemas financeiros (PER e Bingo) e apelativo a mais pessoas, criando novos adeptos e aumentando a base de sócios.

Volto a dizer: Tudo o que se possa fazer à volta disto soará sempre avulso e nunca terá bom retorno por muito que se queira e se tente valorizar…

Nuno de Almeida Costa

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